O Brasão de Dom Manuel Mendes da Conceição Santos

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Como os leitores podem ver na primeira página é formado por um escudo cortado na parte superior (o que na heráldica se chama chefe) assim: a zona superior (o chefe) de ouro, e o resto do escudo azul. No chefe de ouro, a meio, uma cruz da ordem de Christo vermelha (parte do território de Portalegre pertenceu à ordem de Christo). À direita da cruz uma açucena da sua cor (símbolo da candura imaculada da Virgem).

À esquerda, uma âncora verde, cujo simbolismo é bem transparente: a esperança que ascende ao céu e se firma no sangue redentor, simbolizado na Cruz Vermelha e na intercessão maternal da Santíssima Virgem representada pela Açucena.

O campo do escudo é todo azul tendo ao fundo o mar representado segundo a convenção heráldica por ondas de azul e prata. Emerge do mar um rochedo de sua cor sobre o qual se firma uma torre de prata encimada por uma cruz. No alto uma estrela de ouro de sete raios (um luzeiro, uma linguagem heráldica).

            O simbolismo é claro.

Do mar revolto deste mundo emerge sólido e inabalável o rochedo sobre o qual assenta a Santa Igreja simbolizada pela torre rematada pela cruz. Ali está o porto seguro para os nautas desta vida. Farol tem um sempre visível, sempre brilhante, que ilumina o céu da Igreja mostrando aos navegantes, aos próprios náufragos, onde está o porto, onde está o asylo. É a brilhante Maris Stella com os seus sete raios (as sete dores ou os sete prazeres da Virgem).

O brasão é o primor na sua significação e tem merecido aos entendidos os maiores encómios. É obra d’um dos nossos mais distintos mestres de heráldica.

Cópia do jornal “A Guarda” nº 514; Anno XII – sábado 6 de maior de 1916